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TEATRO EXPANDIDO (AUGMENTED THEATER) - Rodolfo García Vázquez
 


Entrevista ao jornalista César Alves

 

Perguntas:

Quando nos conhecemos, eu era parte da equipe da revista Cenário e vocês estavam com a montagem de “Os cantos de Maldoror” e comemoravam dez anos desde a fundação da Cia. Desde então, muita coisa aconteceu. Agora que os Satyros completam duas décadas de atividades, quais foram as principais conquistas neste período?

Quando apresentamos “Os Cantos de Maldoror” em São Paulo, em 1999, estávamos começando a pensar em voltar a São Paulo. Durante os anos 92-99, vivemos com ciganos, produzindo e apresentando trabalhos em muitos países, com sede em Portugal e em Curitiba. A partir de dezembro de 2000, com a nossa instalação na Praça Roosevelt, inicia-se uma nova fase na nossa vida. A Praça Roosevelt acabou tendo uma participação ativa no nosso projeto estético, na forma de entender o teatro e a relação deste com a cidade.

 

Desde esta época, sempre achei os Satyros, em postura, atitude e tal, um capitulo a parte do teatro paulistano. Lembro-me de você dizer que quando da montagem de Sade ou noite com os Professore Imorais vocês procuraram os teatros convencionais e deixavam as pessoas horrorizadas, já desesperados tentaram os teatros pornô e foram considerados elitistas. Logo, não eram aceitos nem de um lado nem do outro. Melhorou a aceitação do trabalho de vocês ou ainda há quem fique horrorizado?

Não sei se horrorizado seria a palavra certa hoje em dia, mas ainda há muita incompreensão com relação ao nosso trabalho. No meio teatral, não somos, de forma alguma, uma unanimidade. Na imprensa, sofremos ataques freqüentes, apesar de parte dela nos apoiar muito. Nas comissões que se dedicam a distribuir verbas públicas para a cultura, estamos sendo solenemente ignorados há mais de 3 anos, sem uma razão clara. O público fiel que temos nos acompanha com interesse e dedicação. Tudo é muito controverso...tanto hoje quanto no nosso início.

Uma vez li uma declaração sua de que você e o Ivam Cabral tinham como objetivo fazer com que os Satyros se tornassem parte da história do teatro brasileiro. Apesar de a Cia. Ainda ter muito a mostrar, acho que podemos dizer que os Satyros já são parte da história de nosso teatro. Como vocês encaram isso?

Ainda temos muito a fazer, mas não posso negar que temos orgulho do que já construímos também. Essa ideia de fazer parte da história do teatro era um sonho que tínhamos, sonho de moleque iniciando a carreira. Durante os anos de exílio, esse sonho estava presente mas parecia sempre distante. Hoje temos um trabalho consistente, contínuo, sabemos que já fizemos algumas coisas, mas que muitos desafios ainda temos diante de nós.

Confesso que nunca vi um livro tão bonito e tão completo sobre uma única Cia. De teatro como esta foto-biografia da Imprensa Oficial. Como surgiu a idéia?

Que legal que você gostou do livro. Nós estamos muito felizes com o resultado também. Na verdade, todo o detalhamento (equipes técnicas de 20 anos, elencos iniciais de mais de 50 espetáculos em várias cidades e países, etc.) foi um trabalho árduo do Ivam, de organização desse material durante todos esses anos. O Germano soube muito bem organizar todas essas informações e trazer um olhar até sentimental sobre tudo isso.  A ideia foi resgatar nossa história destes primeiros 20 anos tão prolíficos, para que ficasse um registro que não se perdesse na memória. Os textos do meu blog foram escolhidos pelo Germano, para dar também algumas informações sobre nossa estética e pensamento, que continua evoluindo e modificando.  

Fale um pouco sobre a importância do Alberto Guzik para a história dos Satyros.

Alberto Guzik assistiu ao nosso primeiro trabalho, antes mesmo de ser Satyros, onde eu e Ivam trabalhamos juntos, chamado Um Qorpo Santo. Desde então, ele havia acompanhado toda a nossa trajetória, até que em 2004 o convidamos para entrar num projeto como ator. Desde 2004, ele foi a nossa consciência, nosso parceiro, nosso amigo, nosso cúmplice, nosso pensador e pedagogo. Sua influência sobre o Satyros é visível. Foi uma grande perda para o grupo a sua morte.

Desde sua primeira edição, há mais de uma década, a Satyrianas só cresceu. Dá pra se fazer um balanço dessa história e avaliar sua importância no cenário cultural de São Paulo atualmente?

Difícil dizer o que significa  a Satyrianas. Nos últimos anos, muitos textos e trabalhos surgidos na Satyrianas acabaram indo para os palcos, o que significa que antecipamos e provocamos produção teatral através das Satyrianas. É quase inacreditável pensar que um evento que havia surgido como uma celebração da resistência do teatro diante do panorama cultural, tenha se firmado como uma festa de proporções carnavalescas, tendo no ano passado contado com mais de 50000 espectadores. A cidade precisa de festa, de arte...e a Satyrianas é o momento em que tudo isto se encontra.

Qual a importância de o evento ser finalmente incluído como parte do calendário oficial do Estado de São Paulo?

Isto nos dá força e responsabilidade. A força de poder negociar com órgãos públicos, moradores da região e órgãos da imprensa. Não somos (mais) um bando de artistas loucos que fazer uma festinha, mas artistas que celebram o teatro com apoio oficial do Estado. Também aumenta nossa responsabilidade. Hoje, a Satyrianas também é uma responsabilidade nossa com relação à cultura paulista. A sociedade espera a Satyrianas acontecer, ano após ano, com o mesmo espírito de inovação, alegria e liberdade.



Escrito por Rodolfo às 13h20
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