O Comum
Negri e Hardt debatem a nova categoria do estar-no-mundo: o comum. O comum não é nem o público nem o privado. O público de fato pertence ao governo, à instituição tão distante de nós. O privado pertence ao foro íntimo, que não se deve ou se quer repartir com o outro. O comum é aquilo que eu e você criamos juntos, um espaço de comunicação, de criação de significados, de redimensionamento dos ideais políticos, de expressão. O comum é criado pelos anônimos que não conseguem se expressar pelos canais convencionais do público, tão distantes, mas que se sentem de alguma forma unidos. A Praça Roosevelt é exemplo desse espaço comum, construído por todos nós, cheia de significados que vão além dos símbolos reproduzidos e vendidos pela indústria cultural. Comum a todas as pessoas da cultura, do teatro, da reflexão crítica. A Satyrianas é esse tempo-espaço comum, onde criamos e expressamos para além dos clichês que constroem nossa visão de mundo, onde suspendemos as categorias tradicionais em que o Império nos equaliza e buscamos a revitalização dos nossos caminhos na arte. Nós, no Satyros, lutamos por uma arte comum...por uma arte que construa essa multidão com identidade e desejos próprios, carnalmente constituída. Essa arte comum só é possível no âmbito da troca, da presença, do corpo. Corpo cheio de significados novos e prontos para se expressar no mundo esteticamente, em uma forma nova, que só é possível no aqui-agora.
Escrito por Rodolfo às 18h59
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Irã, twitter, muçulmanos e preconceitos...
Pensando no Irã: a primeira revolução twittada do planeta acontece num país muçulmano...chega de estereótipos! Quando conheci palestinos num projeto que dirigi, ficou claro prá mim: a imprensa ocidental alimenta estereótipos. As tvs só mostram homens barbudos radicais e mulheres cobertas de mil véus lamentando a morte de seus filhos. O Islam é muito mais do que isso...Eles têm uma cultura milenar, uma sabedoria própria e milhares de diferenças entre eles e milhares de problemas. Não...não significa aprovar o que os seus regimes fazem com as mulheres nem com os homossexuais. Nâo significa calar diante dos ataques suicidas. Mas entender que eles são muito mais complexos do que as imagens que vemos, que as sociedades islâmicas são cheias de sutilezas e de pessoas inteligentes e sensíveis também. E o mundo agora vê, pasmo, os muçulmanos iranianos twitando, se organizando virtualmente, propondo revoltas públicas... O tempo é de mudança também para eles... E a Revolução Chinesa? Também virá do twitter?
Escrito por Rodolfo às 13h05
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