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De Olhos Sempre Abertos - vivendo o espanto - Rodolfo García Vázquez


Amigos

 

Aprendi a ser traído pelos amigos e aprendi a continuar a acreditar na amizade, ainda que frágil e relativa.

Isso não me tornou amargo. Só fez o meu amor pela humanidade tornar-se mais complexo.

 



Escrito por Rodolfo às 22h05
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A Visita Ao Cervantes

Hoje fui ao Instituto Cervantes, ver a leitura do Fausto do Reinaldo Montero.

Na entrada, uma exposição de cartazes da época da Guerra Civil Espanhola.

Fiquei pensando que enquanto aqueles cartazes eram produzidos, de forma artesanal, meus avós se casavam, meu tio nascia, minha avó andava grávida da minha mãe entre as barricadas nas ruas de Madrid.

Depois anos e anos de sacrifícios e fome. E um novo casamento dos meus avós. O padre que os havia casado tinha sido assassinado na guerra e a certidão de casamento havia se perdido.

As histórias da minha avó traçavam uma trajetória cheia de aventuras na minha imaginação infantil. "Guardávamos as cascas das batatas para comê-las no sábado." "Quando tinha que buscar leite para o teu tio, atravessava os tiros das barricadas, com a tua mãe na barriga." "Teu avô teve que se fingir de inválido para poder sair do exército. Isso o salvou."

Me lembro também de passar a mão na canela dele. "Aqui está a bala que me acertou durante a guerra." Ele carregava esse osso entortado pela bala como um grande troféu...uma medalha de heroísmo.

"O pior é sempre depois da guerra" dizia a minha avó recentemente, quando ainda conseguia se lembrar do passado.

Aqueles cartazes me lembraram tempos difíceis, de insegurança e medo, de amor à vida e terror da morte, que ficaram marcados na minha família e chegaram, de alguma forma obscura, em mim.

 



Escrito por Rodolfo às 00h30
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O Segredo do Teatro

 

O Segredo do Teatro é a mística de sua matemática.



Escrito por Rodolfo às 15h58
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