Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 Ivam Cabral
 Fernanda D´Umbra
 Mario Bortolotto
 Sergio S Coelho
 Jarbas Capusso
 Laerte Kessimos
 Nelson Peres
 Edu Castanho
 Alberto Guzik
 Lenise Pinheiro e Nelson de Sá
 Cléo de Páris
 Roberto Moreno
 Maria Clara


 
De Olhos Sempre Abertos - vivendo o espanto - Rodolfo García Vázquez


O caso Isabella

 

A mulher chora ao ver na porta de uma casa qualquer da zn, o pai e a madrasta suspeitos no caso Isabella. Ela própria vítima de abuso na infância, dos mais variados tipos. Ela chora ao se lembrar como era impotente diante daquele pai tirano, daquela mãe cruel, daquele tio que a violou no sigilo das tardes tranquilas. E ela grita: "Assassinos!", grita com uma força descomunal, como nunca, como ela não pôde gritar quando era criança e vivia em terror.

Ao lado dela, um homem bem mais velho chora também, pela violência que também sofreu...o pai que deixou marcas em seu corpo quando ele tinha 5 anos de idade, com chicote, e que perduram até hoje por baixo da camisa puída. Ele também grita "Assassino" quando os suspeitos passam, e vê no rosto deles o rosto do próprio pai que, falecido, já não poderia ouvir os seus gritos...

Nas escolas, hoje, as crianças estão todas pensando em seus pais violentos e na sua impotência diante deles...e fantasiam até que ponto esses pais e padrastos e mães e madrastas poderiam ir diante de suas fragilidades. Teriam a coragem dos suspeitos?

Nâo, não foi a mídia que convocou essas pessoas para irem até aquela casa da ZN que, por sinal, fica a menos de 100 metros da casa dos meus pais. Também não foi a revolta com os políticos, com Brasília, com o Bush...

Foi algo muito mais próximo e terrível, algo muito mais concreto e muito mais pavoroso para essas pessoas: a crueldade dos que as alimentaram e beijaram na infância, que lhes deram seus nomes e lhes pediam respeito.

E são tantas as histórias, tantas. Histórias que acabam sendo enterradas diante das biografias das famílias, como se enterram todas as vergonhas de todas as famílias, das primas putas, dos tios alcoólatras, dos fracassados...mas que deixam marcas silenciosas muitas vezes insuportáveis, para toda a vida.

Debaixo do teto onde deveriam ter conforto e paz, dentro do carro do papai que deveria ser o lugar mais seguro da terra, no quarto cheio de brinquedos que deveria ser um espaço lúdico e prazeiroso, na janela com a vista tão cotidiana, nesses lugares tão familiares, vive acontecendo diariamente o terror para muita gente, muita muita gente.

Isabella é um pouco de da história de todos aqueles que sofreram, sofrem e sofrerão nas mãos de quem os ama, sem ter o direito de se defender.

E são muitos, muitos, muitos aqueles que estão acordando durante a noite com o rosto de Isabella na mente...com o medo do retorno à infância do horror. 

 

 



Escrito por Rodolfo às 22h23
[] [envie esta mensagem] []




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]