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Final de A Fauna
A homenagem que eles nos fizeram foi uma das sensações mais loucas que senti na vida. Era um transbordamento de afetos, de apreensões, de medos pelo futuro, de esperanças.
Eu não conseguia abraçar todos e demonstrar todo o agradecimento que sentia pelo que eles haviam me ensinado. Era como se as emoções fossem maiores do que eu, muito maiores, e eu não pudesse vivenciar todas elas... Foi um momento dionisíaco, na maneira como entendo dionisíaco - dor, muita dor, transbordamento, tontura, perda de limites, pavor, espanto, tesão, entrega ao rio das emoções e prazer...mas o prazer é pouco diante de tudo o mais que veio junto. O trágico dionisíaco.
A música ensaiada por eles, os figurinos, as criancinhas segurando as placas, os olhos, as vozes embargadas, os presentes, a mesa farta (!!! - farta!!! - eles abriram mão de dinheiro que eles precisavam para organizar uma mesa farta, cheia de salgados, bolos e sanduíches!!!)...
Saí de lá certo de que o teatro é poderoso. Muito mais poderoso do que uma simples sala de espetáculo, muito mais poderoso do que ações de governos, muito mais poderoso do que a violência e a injustiça, muito mais poderoso do que a miséria.
Vivemos, nesse mês, no olho do furacão. O furacão do poder do teatro. Um pleno transbordamento dionisíaco.
Escrito por Rodolfo às 11h43
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